Moranguete – Coisas que só Noob faz (Episódio 6)

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Algo muito chato acontece com Emie e Red faz tudo que pode pra ajudá-la a conseguir passar por esse momento difícil e conseguir enfrentar todos os haters sem perder a postura.

Um presente misterioso agita a internet e Red aproveita a onda pra lançar um clip paródia, apesar do gosto bom do mimo, ele preferia é ter ganhado outra coisa. Zie andava diferente, estranhando, os meninos ficaram de olha até ter a oportunidade de saber o que estava acontecendo.

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O tempo é regado de lembranças e saudades, desejos e vontades, e vai passando a gente se movendo ou ficando estático, conforme fazemos nossas escolhas.

Com a noite de sábado livre, Red chamou os amigos pra uma partida, com o jogo mais insano que eles já tinham visto Sekiro: Shadows Die Twice. Ainda mais jogado no Xbox One X, com ele dava pra deixar as configurações na maior taxa possível e ainda ter um desempenho fluído, com gráficos mais bonitos e realistas que qualquer outro console – ainda mais conectado numa TV QLED de 65 polegadas com resolução 4K – a experiência era animal.

A única ressalva, por optar pelo console mais potente do mercado, era a questão dos jogos exclusivos, mas com o aumento de opções – graças parcerias e compras de estúdios de games por parte da Microsoft – Red achava que valia a pena pagar mais caro.

Só que de convidar os amigos ele devia ter visto, pelo menos, algum gameplay antes de convocar uma partida, mesmo com jogabilidade fluída e intuitiva, com diferentes opções pra cumprir o objetivo, ele logo perdeu a vez, assim só deu pra ter um gostinho. Red andava meio preguiçoso, sem paciência pra regras, além de desatento, o que impedia de aprender com os próprios erros, enfim, estava realizando coisas que só noob faz.

Então ficou vendo os amigos controlar o Lobo, utilizando o gancho pra escalar praticamente tudo, criando situações de stealth, fuga e batalha sensacionais. Enquanto explorava cenários realistas, se aprofundando nas raízes japonesas, prestando atenção nos diálogos, pra tentar descobrir um pouco mais daquele universo rico em detalhes.

No começo, Red assistia empolgado, até se tocar que sua vez não ia chegar tão cedo, daí perdeu o interesse. Vendo o rádio, foi na direção dele, o ligou e procurou pela estação preferida, sintonizando nela, só pra ter o que fazer, porque nem chegou a prestar atenção no que rolava.

Daí lembrou que aquela hora Emie já devia ter chegado da festinha da prima, então aproveitou pra ligar. Depois de se informar de como tinha sido a festa, rir um pouco e falar sobre outras amenidades, Red soltou algo que já andava um tempo preso na garganta e também no coração.

“O tempo é regado de lembranças e saudades, desejos e vontades, e vai passando a gente se movendo ou ficando estático, conforme fazemos nossas escolhas.”

— Gosto muito de você, Pimentinha.

— Também gosto de cê, Red.

— Sei disso! – Ele tentou encontrar as palavras certas – …só que não é… só desse jeito…

O que estava acontecendo naquele momento, era consequência da forma carinhosa que eles se tratavam.

— Poxa, Red, não acredito que cê também se apaixonou por mim! – A decepção era clara, na voz dela.

— …é, tentei, mas seu jeitinho me pegou total…

— Que música é essa que tá tocando? – Ela perguntou, de repente, como se quisesse mudar de assunto.

Ele se quer notou que algo tocava de fundo, então pediu pra ela esperar e usou o Shazam pra descobrir que era Apologize, do OneRepublic. Aproveitando que tinha pausado a conversa, ele aumentou o volume, deixando a trilha sonora envolver as desculpas pra que um relacionamento entre eles não fosse dar certo.

— Red, a gente mora bem longe um do outro, muito longe mesmo.

Quieto ele escutou, discordando por dentro, afinal, pra ele isso não era problema algum, a atração sentida por Emie era grande a ponto de superar distâncias ou o que quer que fosse necessário.

Quando a música terminou, ele a ouviu tocar novamente, o que foi estranho, já que a estação não costuma repetir músicas em sequência, foi aí que se deu conta de que ela vinha do telefone, então desligou o rádio e os dois ficaram ouvindo. Red já tinha escutado antes aquela canção, mas nunca deu a menor importância, já pra Emie ela marcou desde os primeiros toques.

Depois de ouvir a música por mais algum tempo, ambos ficaram sem saber bem o que dizer, as palavras que antes saíam de uma forma espontânea e até infante, agora, talhadas em mármore, eram difíceis de sair.

Red se esforçava pra dizer o quanto ia ser difícil se imaginar sem Emie, e ela pra falar que mesmo eles não tendo um romance o que sentia por ele era algo intenso, além de gratidão, pois quando todo mundo se afastou por causa da história que espalharam dela – e outros motivos – ele continuou a apoiá-la, sempre com palavras de gentis, sendo sempre paciente e atencioso.

“Garotos não são bons com sentimentos, assim, normalmente preferem ignorar tudo ou dar espaço pra reflexão sem necessitar de exposição.”

Na verdade, desde o começo ele foi maior fofo, fazendo-a sentir-se especial, sem tratá-la como um item de conquista, como os demais garotos.

A música continuava a soar e a cada repetição deixava-os mais sensíveis aos instrumentais que acompanhavam a voz melodiosa de Ryan Tedder e a grande participação do Timbaland – fazendo “ie, ie” de fundo. Mesmo sem compreender bem a letra, ela os envolveu, tapando o buraco deixado pela ausência de palavras.

Sem jeito, Red olhou na direção da TV, foi aí que viu o jogo pausado, o interesse da geral tinha se voltado pra ele. Quando viram o olhar de Red na direção deles, sopraram algumas dicas do que dizer e torceram pra dar tudo certo, sem fazer muita algazarra pra não serem ouvidos.

— Desculpe, Red, mas não ia dar certo.

— Mas…

— Só espero não perder sua amizade, ela é importante pra mim.

— Tudo bem…

Percebendo que o clima não estava bom, depois que Red desligou, os amigos salvaram o jogo, o cumprimentaram e se foram – garotos não são bons com sentimentos, assim, normalmente preferem ignorar tudo ou dar espaço pra reflexão sem necessitar de exposição.

No próprio quarto – acompanhado da solidão – as últimas palavras de Emie ficavam repetindo na cabeça dele. Red até tentou dizer que não tinha medo do sacrifício que fosse necessário fazer, mas foi interrompido, daí acabou ficando sem palavras e o que saiu foi mero reflexo – o cérebro enviou a resposta antes mesmo de processar o que foi ouvido, culpa da decepção que causou curto nas sinapses.

Red acabou contando tudo pra Zack que disse que ele era podre, por ter se apaixonado por alguém que nem mesmo chegou a conhecer pessoalmente que, pra ajudar, morava maior longe.

— Esquece ela, parça! Melhor coisa.

— Como se isso fosse fácil. – Red entortou a boca, contrariado.

— Sabia que isso não ia dar certo. A Emie é fofa demais e esse negócio de muita amizade só podia dar nisso. – Ele meneou a cabeça. – Pelo menos fiquei com ela e você!? – Ele ergueu a sobrancelha.

“O interrompimento inesperado de algo, como um relacionamento, às vezes dó tanto que a gente prefere deixar de sentir pra seguir em frente.”

Sem ter o que dizer, Red se afastou, tentando não ficar mais chateado e com a certeza de que não devia ter dito nada pro amigo. Pra distrair a mente, foi ler as últimas notícias do universo dos quadrinhos.

No meio da leitura, um insight o fez lembrar de Apologize, daí ele pesquisou a letra e a traduziu, só pra vê-la falar de si mesmo, ele tinha se apegado a algo tão frágil, como uma corda prestes a se romper, de onde foram empurrados seus melhores sentimentos.

Mas ele nem conseguiu refletir muito sobre o quanto tudo aquilo era coincidentemente trágico, logo Zie apareceu, cheia de sorrisos, falando de vários assuntos. Red ficou surpreso, ele tinha imaginado que ela é quem mais ia perturbar por ele não ter dado bola quando o tentou afastar de Emie, mas foi justamente o contrário. Mesmo sabendo de tudo, Zie agiu naturalmente, sem nunca tocar no assunto, o que o fez se sentir grato pela amizade e compreensão.

Zie tinha ficado chateada com o que houve depois de tanto avisar, mas como agora era amiga dos dois e, vendo que jogar na cara do amigo a responsabilidade da teimosia dele só ia aumentar o peso, ao invés de ajudá-lo a ficar bem, preferiu fingir que nada tinha acontecido e agiu naturalmente.

O correr dos dias, trouxe mudança de tempo, também de sentimentos. Antes qualquer notificação de Emie – desde que estivesse livre – era uma desculpa pra Red não querer mais parar de falar, agora por mais que ela enviasse mensagem ele apenas a ignorava. O interrompimento inesperado de algo, como um relacionamento, às vezes dó tanto que a gente prefere deixar de sentir pra seguir em frente.

Pra ficar incólume, selecionou ninguém na opção visto por último, pra evitar mostrar a última vez que ficou on-line, além de desativar as confirmações de leitura, assim, mesmo que visualizasse as mensagens, não dava pra Emie saber se tinham sido lidas. O que restava pra ela era tentar falar com ele quando o via on-line, mas todas sem sucesso.

Todo aquele sentimento que despertava diversas sensações foi se transformando em mágoa, assim, escolheu a deletar de vez da memória – começando por excluir o histórico de mensagens trocadas – achando que assim o processo seria menos doloroso.

“Não é o tempo, mas a intensidade que permite a gente conhecer melhor alguém.”

Dando a geral no quarto, ele achou uma pilha de desenhos nos quais Emie aparecia como algumas heroínas de HQ, mas que ele nem chegou mandar pra ela. Red os espalhou sobre a cama e sentiu ser inundado pelas lembranças que pensou ter excluído, então recolheu tudo de qualquer jeito e os meteu no fundo da gaveta – de onde não pretendia tirá-las mais – e, esquecendo a limpeza, resolveu mandar um e-mail pra Emie, dando um basta naquilo tudo.

Após fazer isso, ele se sentiu menos incomodado, tanto que conseguiu deixar toda história de lado e se concentrar com mais foco nas tarefas do dia a dia.

Sábado estava chegando e lá estava Red, com a tela de abertura de Sekiro: Shadows Die Twice pausada, a olhar o console, exausto. Ele ainda não estava bom o suficiente, mas não podia fugir mais uma vez da partida com os amigos – o estoque de desculpas já tinha se esgotado pelo ano todo.

Depois de se estressar devido à dificuldade do jogo – algo no qual o game foi bastante criticado – queimar massa encefálica pra bolar estratégia, derramar algumas lágrimas de tristeza por deixar doentes e matar as pessoas mais próximas do Lobo – devido a capacidade dele retornar dos mortos – e chorar muito de raiva mesmo, Red desligou o console antes de o quebrar de vez.

Pra respirar um pouco e arejar a mente, deu play em Amor não correspondido. Apesar da história ter alguns paralelos com a sua – cheia de reviravoltas – distraído como estava, enxergou gaussianamente o que passava na tela.

Foi aí que pensou ter ouvido o telefone tocar, na sala, acionando o mute no controle, teve comprovação de que alguém estava ligando. Sem muita vontade, Red se arrastou escada abaixo, daí retirou o aparelho do gancho, só pra ouvir uma voz feminina perguntar por ele.

Ao se dar conta de quem era, Red ficou sem reação, permanecendo em silêncio. Ele imaginou que depois da mensagem que enviou, Emie ia esquecê-lo de vez.

— Red, que e-mail foi aquele? – Pelo silêncio ela logo soube com que falava.

— Eu… – Ele tentou começar, mas foi interrompido.

— Cê acha certo me mandar aquilo depois de ficar me ignorando?

— Fiz isso porque achei que era melhor…

— Pra quem? Só se foi pra você, porque fiquei mó mal! – Ela soltou o ar com força. – Poxa, Red, porque cê fez isso?

Apesar de ficar em silêncio, ele lembrava da mensagem, assim como cada palavra e sentença que ela imprimia na tela.

Desde que postei aquilo no Stories, você ficou meio estranha, sem entender, pensei que tivesse feito algo errado, agora entendo e, de certa forma, sou grato por você deixar claro que a culpa não foi minha. Se abri mão do que sentia por você, foi só porque me disse pra fazer isso, não porque apenas desisti, pois quando precisa faço o necessário, como abrir mão de você, uma das coisas mais difíceis que já fiz, mas, talvez, isso tenha sido melhor.

Conforme nos relacionamos com as pessoas, adquirimos vícios e virtudes e, contigo, aprendi coisas legais, tipo ser mais atencioso, mas a garota com quem falei nos últimos dias nada tinha a ver com a menina maravilhosa que conheci.

Como não posso escolher por você, preferi me afastar, nossa última conversa me deixou mal. Sempre achei bobagem aquela coisa que dizem da gente não mandar no coração, mas quando te conheci senti o quanto é verdade, já que não planejei gostar de você, não desse jeito, ainda tentei me conter, por isso não ficava de ideia e das vezes que disse te amar, foi mais em retribuição ao que você dizia, que pelo que realmente sentia.

Não sei se você vai ler ou aceitar isso, só digo que é verdade o que escrevi naquele desenho, você sempre estará no meu coração. Se te escrevo agora, é porque quando a gente conversou da última vez, tentei te falar isso, mas não consegui, pois a cada frase dita, uma palavra sua bastava pra me emudecer total.

— Red, cê pode não ter percebido, mas fazer isso me machucou. – Emie o trouxe de volta das memórias.

— Pensei que fosse melhor pra gente cortar relação.

— Nem vem que sei que cê também não tá bem com isso!

— Como assim!? – Ele se espantou.

— A Zie contou que cê não anda legal, apesar de disfarçar bem.

— Ah! Sim… – Red ficou sem jeito. – Mas talvez esquecer seja melhor, a gente mal se conhece mesmo.

— Poxa, como cê fala assim!? Não é o tempo, mas a intensidade que permite a gente conhecer melhor alguém. Pode parecer pouco, só que foi o tempo suficiente pra me apegar muito a você.

— … – Ele nem teve o que dizer.

— Isso foi injusto da sua parte, Red, gosto muito de você e não acho certo cê fazer isso com a gente. E as horas que ficamos conversando até de madrugada, não significou nada pra você?

Aquelas palavras lhe furtaram o chão, ele pensou que Emie nem devia se importar tanto assim, por isso escolheu esquecê-la. Nunca imaginou que a tivesse cativado a ponto dela sentir sua falta.

— Melhor assim, não tava me sentindo bem. – Ele explicou, sentindo mal-estar.

— Certeza, Red? Gosto demais de você, mas cê que sabe. – As palavras ditas foram tão pesadas que tomaram forma, assim ele não apenas as ouviu, mas também sentiu a dor quando elas o socaram bem na boca do estômago.

Ouvi-la dizer que gostava dele, foi o mesmo que levar tiro à queima-roupa, a sensação ruim era causada porque, nos lábios dela, a palavra tinha apenas o significado de amizade, já os sentimentos dele por Emie eram mais profundos.


#proximoepisodio

Red foi armazenando tanto sentimento bom dentro de si, pra no fim transformá-los em peso – não à toa quis esquecer Emie de vez – mas será que ele vai conseguir manter o posicionamento e deixar pra trás tudo que eles passaram juntos, mesmo que virtual ou remotamente?

Muitas reviravoltas vão acontecer no último episódio de Moranguete, já pode botar o nível de ansiedade no máximo, porque segredos que ficaram escondidos estão por vir a tona, assim como aprendizados e amadurecimento.

Ósculos e amplexos,

mishael mendes sign, assinatura

Mishael Mendes

Um cara apaixonado por música, se deixar ele não faz nada sem uma boa trilha sonora. Amante de fotografia, livros, animais e comida boa – principalmente a da mãezona. Criou o blog e o canal pra compartilhar sua visão inversível da vida.